Economia

Após queda em outubro, soja reage com alta do dólar, mas ainda acumula perdas

Indicadores do Cepea mostram recuperação de mais de 3% na última semana de outubro

Depois de acumular perdas durante outubro, o preço da soja registrou uma recuperação expressiva na última semana do mês, impulsionado pela valorização do dólar frente ao real. Dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, mostram que os indicadores Paraná e Paranaguá subiram 3,77% e 4,25%, respectivamente, entre 23 e 30 de outubro. Apesar da reação, as cotações encerraram o mês com quedas acumuladas de 1,74% e 1,66%.

Segundo o Cepea, o fortalecimento da moeda norte-americana aumentou a competitividade da soja brasileira no mercado internacional, estimulou o interesse de compradores estrangeiros e elevou a liquidez nas negociações domésticas.

O movimento levou os preços a se aproximarem dos patamares registrados no início de outubro, após um período marcado pela desvalorização dos contratos futuros na Bolsa de Chicago e pelo menor ritmo de comercialização no mercado brasileiro.

Soja recupera parte das perdas na última semana de outubro

A recuperação dos preços ganhou força na reta final de outubro, acompanhando a valorização do dólar, que encerrou o mês com alta superior a 5%.

No dia 30 de outubro, o indicador da soja Cepea/Esalq Paraná fechou a R$ 152,22 por saca de 60 quilos, enquanto o indicador Paranaguá atingiu R$ 158,88 por saca.

Apesar dos ganhos registrados na última semana, os dois indicadores ainda apresentaram desvalorização no acumulado do mês.

O movimento também foi observado nas principais regiões produtoras do país, que encerraram outubro com preços inferiores aos registrados no início do período.

Em Passo Fundo, no Rio Grande do Sul, a saca passou de R$ 155,50 para R$ 153,00. Em Cascavel, no Paraná, a cotação recuou de R$ 150,50 para R$ 149,00.

Já em Rondonópolis, em Mato Grosso, o preço caiu de R$ 148,00 para R$ 141,00. No Porto de Paranaguá, o referencial acompanhado pelo mercado passou de R$ 161,50 para R$ 160,00.

Na Bolsa de Chicago, os contratos futuros de soja com vencimento em janeiro acumularam queda de 6,05% durante outubro, encerrando o período a US$ 12,30 por bushel.

A evolução da colheita nos Estados Unidos, com perspectiva de produção recorde, pressionou as cotações internacionais e se sobrepôs ao suporte oferecido pela demanda chinesa.

Nesse cenário, a valorização do dólar ajudou a limitar as perdas no Brasil e favoreceu a recuperação dos preços na última semana do mês.

Alta do dólar estimula negócios, mas frete preocupa

Além de favorecer as exportações, o fortalecimento da moeda norte-americana aumentou o interesse por negociações no mercado disponível, conhecido como spot.

De acordo com pesquisadores do Cepea, a procura por negócios imediatos também está relacionada às incertezas sobre os custos de transporte nos próximos meses, especialmente diante da possibilidade de novos aumentos nos preços do diesel.

O encarecimento do combustível pode elevar os custos do frete rodoviário, componente importante na formação dos preços e na competitividade da soja brasileira.

Em contrapartida, agentes brasileiros têm demonstrado menor disposição para fechar contratos a termo, principalmente aqueles com previsão de embarque em 2027.

Segundo o Cepea, além das dúvidas envolvendo os custos logísticos, as discussões relacionadas à reforma tributária têm reforçado a cautela entre os participantes do mercado.

Diante desse cenário, parte dos agentes prefere manter os estoques remanescentes da safra anterior em vez de comprometer antecipadamente volumes para entrega nos próximos meses.

Plantio da nova safra avança no Brasil

Enquanto o mercado acompanha a movimentação dos preços, os produtores brasileiros seguem com os trabalhos de implantação da safra 2026/27.

Segundo levantamento da Safras & Mercado, o plantio de soja havia alcançado 42,3% da área prevista até 23 de outubro, acima dos 34,1% registrados no mesmo período do ano passado e da média histórica de 41%.

A produção brasileira está estimada em 181,837 milhões de toneladas na temporada 2026/27, crescimento de 2% em relação às 178,341 milhões de toneladas projetadas para a safra anterior.

A área plantada também deverá avançar 2,1%, passando de 48,543 milhões para 49,542 milhões de hectares.

Por outro lado, a produtividade média está projetada em 3.689 quilos por hectare, ligeiramente abaixo dos 3.692 quilos estimados para a temporada anterior.

A perspectiva de ampliação da produção brasileira é um dos fatores que devem continuar no radar do mercado, especialmente diante das expectativas de oferta elevada no cenário internacional.

Óleo de soja tem maior prêmio de exportação desde março

A valorização observada nos últimos dias também atingiu os derivados da soja.

Segundo o Cepea, a demanda aquecida pelo óleo de soja elevou os prêmios de exportação ao maior patamar desde março de 2026.

Entretanto, a queda no preço FOB, referência utilizada nas negociações internacionais, limitou a valorização do produto no mercado brasileiro.

O comportamento dos derivados também influencia as decisões de comercialização e o funcionamento da cadeia produtiva da oleaginosa.

O que esperar do mercado da soja em novembro?

A recuperação observada no fim de outubro mostra a importância do câmbio para a formação dos preços da soja no Brasil, especialmente em um cenário de pressão sobre as cotações internacionais.

Para novembro, a trajetória do dólar, o comportamento dos contratos futuros em Chicago e o andamento do plantio da safra 2026/27 permanecem entre os fatores que podem influenciar as negociações.

As perspectivas para o frete rodoviário e os possíveis impactos da reforma tributária também devem continuar pesando nas decisões dos agentes, principalmente em relação aos contratos com entrega prevista para 2027.

Embora a valorização cambial tenha impulsionado os preços na última semana de outubro, os indicadores ainda não recuperaram integralmente as perdas acumuladas ao longo do mês.

Dessa forma, a continuidade da reação dependerá das condições do mercado internacional, da evolução do câmbio e da disposição de produtores e compradores para realizar novos negócios.

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