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Quanto mais velho, mais curioso: pesquisa revela que o interesse por BDSM cresce com a maturidade

Levantamento realizado com brasileiros adultos derruba o estereótipo de que fetiche é “coisa de jovem”; Casal que descobriu o BDSM na vida adulta ilustra o fenômeno na prática

Existe uma crença popular de que a curiosidade sexual pertence aos jovens. Os dados discordam. Uma pesquisa inédita do Sexlog, a maior rede social de sexo e swing da América Latina, ouviu mais de 7 mil pessoas e chegou a uma conclusão que inverte a lógica: o interesse por BDSM aumenta com a idade.

BDSM é um acrônimo que reúne seis práticas: Bondage, Disciplina, Dominação, Submissão, Sadismo e Masoquismo. Na prática, é um universo amplo de dinâmicas entre parceiros que envolvem jogos de poder, controle e entrega, sempre com base em consentimento explícito e negociação prévia. Longe do estereótipo violento que ainda circula no imaginário popular, o BDSM é, para quem o pratica, uma linguagem de intimidade: uma forma de explorar desejo, confiança e conexão emocional de maneira consciente e acordada entre as partes. 

Nos últimos anos, esse universo deixou de aparecer apenas em nichos underground e passou a ocupar espaço na cultura pop. O principal exemplo é a franquia “Cinquenta Tons de Cinza”, que transformou o BDSM em assunto global e despertou curiosidade em milhões de pessoas. Mas filmes e séries como “Secretária” (2002), considerado um dos retratos mais sensíveis sobre dominação e submissão no cinema, “Bonding”, da Netflix, e até produções recentes ligadas ao fenômeno dos dark romances ajudaram a popularizar debates sobre desejo, poder e fantasias sexuais. Ainda assim, praticantes afirmam que muitas dessas obras misturam fantasia e realidade, reforçando estereótipos e ignorando pilares centrais da prática, como consentimento, diálogo e segurança. 

O que diz a pesquisa

Entre os respondentes de 18 a 24 anos, 28,8% declararam já ter ouvido falar ou sentido interesse pelo tema. Na faixa dos 55 aos 64 anos, esse número salta para 43,3%, número 50% maior em relação aos mais jovens. Ou seja, quase metade dos brasileiros nessa faixa etária já flertou com o assunto.

Mayumi Sato, CMO do Sexlog, comenta que, embora muitas pessoas imaginem que os jovens são os mais interessados em conhecer práticas mais ousadas na cama, o que pesquisa mostra que quem já viveu mais, conhece melhor seus desejos. “O que é possível perceber é que quanto mais experientes e maduras, mais as pessoas estão abertas a conhecer seu próprio prazer e experimentar coisas diferentes do usual”, diz.

Da fantasia escondida ao palco público

Rafael, 35, e Nayara, 34, conhecidos nas comunidades fetichistas como Hex Fetiche e Mistress Nara, não esperaram a meia-idade para assumir quem são. Juntos há quase cinco anos, eles se conheceram no meio de uma cena de fetiche e, juntos, percorreram em velocidade acelerada um caminho que, segundo a pesquisa, a maioria dos brasileiros só faz depois dos 50.

“Eu sempre achei que era uma parte que eu tinha que esconder da minha vida, que era uma parte suja e que ninguém podia saber. Mas isso não saía da minha cabeça”,  conta Rafael. 

O desejo existia desde a infância. O vocabulário veio depois, com o tempo, com as primeiras experiências, com a descoberta de que havia outras pessoas navegando o mesmo território. Dois anos atrás, o casal decidiu assumir seu estilo de vida para a família, amigos e, depois, para câmeras de TV e microfones de podcast. “Quando você vai descobrindo que não é uma aberração, que tem mais pessoas interessadas nisso e que é mais normal do que a gente imagina, você vai se soltando”, diz ele.

Diálogo como prática central

Outro dado da pesquisa surpreende quem ainda associa BDSM a ausência de limites: 83,2% dos interessados acreditam que o BDSM exige mais diálogo do que o sexo convencional. E 60,4% afirmam conversar sempre sobre limites antes de qualquer experiência íntima.

Rafael e Nayara confirmam isso na prática. Parte significativa do trabalho deles hoje é justamente de conscientização: mostrar que o fetichismo, em especial o universo BDSM, é atravessado por negociação, confiança e respeito.

“O fetichismo permeia a sociedade como um todo. Só que ainda existe muita coisa que as pessoas associam ao BDSM que não é o que ele é de verdade”, diz Rafael.

A pesquisa endossa: 75,1% dos entrevistados acreditam que a sociedade ainda interpreta mal o BDSM. E 84,1% querem explorar mais o universo, mas sentem o peso do estigma.

O que os números dizem

  • 43,3% dos brasileiros entre 55 e 64 anos já tiveram interesse em BDSM
  • 83,2% acreditam que o BDSM exige mais diálogo que o sexo convencional
  • 84,1% querem explorar mais o tema
  • 75,1% acham que a sociedade ainda interpreta mal a prática
  • Mulheres têm propensão maior ao interesse (34,9%) do que homens (31,0%)
  • A curiosidade aparece como fantasia pessoal prévia em 36,6% dos casos, antes de qualquer filme, livro ou pornografia

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