Paraíba atinge em 2025 o maior índice de feminicídios desde a sanção da lei, com 36 casos, igualando-se a 2019.
A Paraíba encerrou o ano de 2025 com 36 feminicídios, o pior resultado desde a sanção da Lei do Feminicídio, em 2015, igualando-se ao número registrado em 2019. Este total representa um aumento de 38% em relação aos casos de 2024.
Os dados, obtidos pelo g1 por meio da Lei de Acesso à Informação da Secretaria de Estado de Segurança e Defesa Social, revelam que os meses mais críticos foram fevereiro e novembro, com 6 e 5 casos, respectivamente. março e dezembro registraram quatro feminicídios cada. A pesquisadora de gênero Glória Rabay aponta que a persistência de números elevados é influenciada por diversos fatores culturais. “A lei sozinha não reduzirá os casos, pois existem raízes culturais, como o machismo. Observamos um crescimento das práticas misóginas e discursos de ódio nas redes sociais, exacerbados pelo atual cenário político no Brasil”, explica. Entre janeiro e dezembro de 2025, os 36 feminicídios ocorreram em várias cidades paraibanas, incluindo João Pessoa, Campina Grande, Patos e Cajazeiras, entre outras. Rabay enfatiza que a violência não está restrita a um grupo específico: “Embora mulheres pretas, pobres e periféricas sejam as mais afetadas, vítimas de feminicídio podem ser encontradas em diversas condições sociais. A cultura machista é uma questão disseminada por toda a sociedade”, observa a especialista. Os dados de 2025 mostraram que março foi o mês mais violento, com um pico de seis ocorrências. Em 2015, o Brasil reconheceu o feminicídio como crime hediondo através da Lei nº 13.104, que foi complementada em 2024 pela Lei 14.994, que tornou o feminicídio um crime autônomo e implementou novas medidas de prevenção. De acordo com a legislação, o feminicídio é o assassinato de mulheres motivado por razões de gênero, considerado especialmente grave quando envolve violência doméstica ou discriminação. A pena para o crime pode chegar a 40 anos de prisão. Glória Rabay destaca a importância da conscientização: “A Lei do Feminicídio trouxe à tona a discussão sobre a violência contra a mulher, permitindo que agora possamos nomear corretamente esse crime. A educação é a chave para a mudança desse cenário, e essa responsabilidade pertence a toda a sociedade, não apenas às escolas”. Ela afirma que a educação deve ocorrer em diversos espaços, como na mídia, nas igrejas, nas famílias e até mesmo em empresas do setor privado, que devem evitar práticas misóginas que perpetuem a subserviência feminina. No cenário nacional, a Paraíba segue uma tendência de aumento dos feminicídios, com mais de 1.470 casos registrados em todo o Brasil em 2025, superando os 1.464 do ano anterior. Em 2024, a Paraíba registrou 25 feminicídios, uma redução em relação a 2023, quando 34 ocorreram. Os dados indicam que os meses mais violentos foram fevereiro e setembro. No total de 2024, 41 mulheres foram vítimas de homicídios dolosos. Para vítimas de violência, denúncias podem ser feitas por meio dos seguintes canais:
- 197: Disque Denúncia da Polícia Civil
- 180: Central de Atendimento à Mulher
- 190: Disque Denúncia da Polícia Militar (em casos de emergência)
